Eliza: Não fale comigo dessa maneira Sophia! – brigou. – O
que você pensa? Que é dona do mundo? Que pode fazer o que quiser com qualquer
pessoa? Eu sou sua mãe! Eu tenho o direito de ser feliz e sim, eu vou sair com
o pai da Diana, a menina que nunca fez nada pra você, além de te aturar. Aturar
suas armações sem sentido, seus chiliques. Caí na real minha filha, as coisas
não são como você quer. Aprenda que ás vezes a gente ganha, mas ás vezes a
gente perde. Se você gosta tanto de Jhon como diz, deixe que ele seja feliz com
a menina que ele escolheu... – a menina estava boquiaberta, nunca ouvira a mãe
falando daquela maneira.
Sophia: Como você pode defendê-los? Eu sou sua filha, você
tem que defender a mim! – exclamou.
Eliza: Não, eu tenho que defender o que é certo. E você está
fazendo tudo errado, tudo! Eu vou sim sair com Paulo e se você fizer alguma
coisa pra me impedir ou então se armar alguma coisa para separar Diana de Jhon,
você vai se ver comigo, entendeu? – a menina não respondeu, apenas saiu pisando
firme. – E vai se arrumar que daqui a pouco você tem aula! – gritou.
Sophia: Ela só sai com ele por cima do meu cadáver! – disse
para si mesma, enquanto batia forte no travesseiro.
Casa dos Guerra.
Ela abriu os olhos com dificuldade. O tempo lá fora denunciava a chuva que estava prestes a cair. Levantou-se e foi até o banheiro, olhou-se no espelho e tentou imaginar que estava tudo bem, que o pesadelo havia acabado. Lavou o rosto com água fria, sentiu um pequeno choque e por fim acordou.
Desceu as escadas lentamente, se equilibrando para não cair. Foi até a sala, mas não tinha ninguém. Deduziu que Laura estava na cozinha e seguiu até lá. Quando Laura olhou a menina, correu para abraçá-la.
Laura: Como você está pequena? – pediu carinhosa.
Alicia: Se me disser que a morte de Lena é um sonho, estou bem! – sua voz saia com dificuldade.
Laura: Eu queria e como queria, mas estaria mentindo. Você vai ter que ser forte, ela não gostaria que estivesse assim. Conheço Lena, falei com ela algumas vezes por telefone e sei que é uma pessoa muito boa. Ela precisa que você esteja bem aqui, pra estar bem lá, lá no céu. Entende? – olhava fixamente para a menina.
Alicia: Na verdade, eu queria entender. Queria mas não consigo. Não consigo entender o porquê isso aconteceu. Eu precisava tanto dela, mas tanto. – chorava.
Laura: Eu sei disso, sei o quanto você a amava. Só não esqueça que você tem a mim, tem
Kate e seu pai também. Antes, sei que pensava estar sozinha. Mas agora, nem em pensamento pode cogitar isso.
Alicia: Eu sei Laura, eu sei disso. Mas Lena é insubstituível. Eu não sei o que vai acontecer daqui em diante. – falou cabisbaixa. – Eu queria vê-la pela última vez, isso é possível? – questionou esperançosa.
Laura: Mas é claro que sim! Luís já foi providenciar as passagens, não se preocupe logo ele está aí.
Ficaram por um tempo conversando, até que o barulho da campainha as interrompeu.
Laura: Espere um instante, vou atender a porta. – sorriu. A menina levantou-se e foi até a geladeira, abriu a caixa de leite e despejou um pouco em seu copo. – Olha quem veio te visitar. – quando virou para trás, viu Chris parado na entrada da cozinha, não pode conter o sorriso, que escapou alegremente. – Vou deixa-los a sós. – Alicia a interrompeu.
Alicia: Não precisa mamãe, nós vamos para o jardim. – disse, enquanto ia saído dali, na companhia do garoto.
Christopher: Como você está? – pediu, enquanto alojava as mãos em seu bolso.
Alicia: De verdade? – ele assentiu. – Perdida. – sorriu fraco.
Christopher: Sabe, eu acho que você não deve se preocupar, afinal, ela está em um lugar bem melhor agora! – exclamou.
Alicia: Se fosse fácil assim. – deu de ombros. – A dor é forte, sufoca. Se não fosse por Lena, quem sabe eu nem estivesse aqui.
Christopher: Nem fale uma coisa dessas.
Alicia: E você, parece meio abatido... – ele engoliu seco.
Christopher: Ultimamente as coisas não estão fáceis. – se privou de falar mais. Não queria incomodá-la com os seus problemas.
Alicia: Diga o que aconteceu! Por favor, me distraia. – riu.
Christopher: Você sabe o que aconteceu com minha mãe e meu... e Pedro, não é? – ela assentiu. – Então, hoje pela manhã ele foi a minha casa e mamãe o perdoou. – disse indignado. – É sério, eu não posso acreditar que ela tenha consentido perdão a alguém que fez o que fez com ela. Qual é? O amor deixa as pessoas idiotas ou o quê?
Alicia: Pois é! O amor deve ser algo muito verdadeiro, para as pessoas perdoarem por coisas que para nós não merecem perdão.
Christopher: Você fala como se já tivesse passado por isso... – naquele momento soube que dizer aquilo não havia sido bom, afinal ele fez a ele o mesmo que seu pai a sua mãe e pior era apenas uma menina indefesa, vivendo o seu primeiro amor.
Alicia: É eu não sei, mas... – gaguejou. – Imagino.
Christopher: Perdoe-me, eu não deveria ter tocado neste assunto. Mas, não querendo ser inconveniente Ali, você já me amou? De verdade mesmo?
Ela congelou. Como poderia olhar aqueles olhos claros e falar algo diferente da verdade? Sim, ela o amara e ainda o ama.
Humberto: Ás coisas estão ficando boas em... Pare e pense comigo, ela teria que ter um acompanhante no hospital, se não era o tal Antônio, quem era? – indagou curioso.
Gisele: Boa sacada. É exatamente isso! Alguém estava com ela e com certeza não era ele, pelo menos é o que eu penso. Temos que descobrir logo quem é e ir atrás dessa pessoa.
Humberto: Então enquanto eu acerto as coisas na pousada, chame um táxi.
Assim fizeram, viam que rapidamente o quebra-cabeça estava se montando e isso era sim, ótimo. Pelo menos pra eles.
Brasil, casa dos Portmann.
Carol: Ele ainda não voltou. – falava pela centésima vez. – Estou começando a ficar preocupada.
Pedro: Ora Carol, ele já é bem grandinho, sabe se virar!
Carol: O problema é que ele estava com muita raiva quando saiu daqui. E de manhã teve alguns problemas, será que não é bom ligar para ele de novo? – indagou.
Pedro: Que problemas ele teve?
Carol: Ele não, na verdade foi Alicia! A mulher, dona do internato em que ficou morreu, Chris levou ela pra casa, será que ele está lá, na casa dela? – propôs.
Pedro: Tomara que não, eu odeio essa menina. Quero-o longe dela, bem longe dela! – exaltou—se.
Carol: Mas por quê? – desconfiou. – A menina nunca te fez nada! Além do mais, a mulher morava nos Estados Unidos como você mesmo sabe, com certeza Ali vai viajar pra lá.
Espera! Está era a deixa que ele precisava. Com a menina nos Estados Unidos, poderia dar a cartada final. Seu sequestro e por fim, sua morte.


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