6 de fevereiro de 2013

Capítulo 9 - Doce Urbano


 

NO CAPÍTULO ANTERIOR...
Motel - Quarto – Manhã.
[Quatro garotos, de dezesseis a dezoito anos saem do banheiro de sunga]
Zumira: Peraê! Que brincadeira de mau gosto é essa? O que essas crianças estão fazendo aqui?
Antunes: Crianças? Por favor, eles já são grandes o suficiente para terem sua vida sexual ativa. São meus discípulos, alunos... Após anos treinando eles, tá na hora de dar um pouco de prazer, então resolvi contratar uma prostituta.
[Zumira fica tensa]
Zumira: Mas eu não sou prostituta nenhuma! E você não disse nada de ter que aguentar quatro adolescentes.
Antunes: Se você é prostituta ou não, isso não me importa. E não são quatro garotos, são cinco, eu também vou participar. E além do mais, trato é trato. [Ele tranca a porta e coloca a chave no bolso] Portanto, você fica. Pode ir tirando as sungas rapazes, hoje o bicho vai pegar.

AGORA...
Rio de Janeiro - Rua – Tarde.
[Bruno e Felipe chegam a um terreno baldio onde está sendo instalado um circo, Leôncio – dono do circo – percebe a presença dos garotos]
Leôncio: Boa tarde jovens... A que devemos a honra dos vossos olhares?
Bruno: Moço, o que vai ser aqui?
Leôncio: O circo La Mustafá. Acabamos de chegar do Tocantins e estamos nos instalando aqui. E vocês, quem são?
Felipe: Bruno e Felipe. Estamos procurando emprego.
[Leôncio coça a barba mostrando estar pensando em algo]
Leôncio: Hum... O que acha de trabalhar no circo conosco?
Felipe: Nós? Está falando sério?
Leôncio: Nunca falei tão sério na minha vida. Estamos precisando de badecos, assim como vocês, para venderem pipocas e doces nas arquibancadas.
Bruno: É claro que aceitamos!
Leôncio: Ótimo, ótimo! O circo estreia amanhã, então hoje está tudo muito corrido, serviço badalado, todo mundo se preparando. Querem ver como tudo funciona?
Bruno: Claro que queremos.
Leôncio: Ah propósito, já almoçaram?
Bruno: Não senhor.
Leôncio: Então se aproximem, tem rango pra todo mundo.




Motel - Quarto – Tarde.
[Os garotos estão deitados no carpete, no chão, Zumira e Antunes estão deitamos na cama. Todos exaustos.]
Antunes: Ai meu Deus! [Antunes suspira] Tô exausto, acabado, fazia tempo que eu não me divertia tanto.
[Todos continuam calados]
Antunes: Rapazes, entrem no banheiro e joguem uma água rápida no corpo. Vou acertar com a quenga e já levo vocês para a república de treinament
[Eles levantam e caminham até o banheiro. Antunes percebe que Zumira está chorando.]
Antunes: O que houve? Aconteceu alguma coisa?
[Ela permanece calada]
Antunes: Não gostou dos rapazes ou o que?
[Ele começa a alisar o cabelo dela, ela levanta rapidamente, furiosa]
Zumira: Tira a mão de mim... Nunca passei tanta humilhação na minha vida... Me paga logo o que você me deve e me deixe ir.
Antunes: Calma... Não precisa se estressar. Se você quiser, posso te indicar para uns amigos meus, podem virar seus fregueses e você descola uma grana preta.
[Zumira dá um tapa no rosto dele]
Zumira: Nunca! Nunca mais diga isso! Eu não sou mulher de programa.
[Antunes segura ela pelo pescoço e a empurra contra a parede]
Antunes: Você acha que está mexendo com quem? Hein?!
[Zumira começa a ficar sem ar]
Zumira: Você está me machucando.
[Antunes, ainda a segurando pelo pescoço, a leva para perto da janela do quarto onde estavam, no décimo quinto andar]
Antunes: Tá vendo aquele monte de carro e aquelas pessoas parecendo formigas? Pois bem... Quer parar lá? Te faço um lindo tapete no asfalto, repleto de sangue.
[Zumira arregala o olho e Antunes a solta]
Antunes: Espero que tenha entendido o recado. [Ele pega a carteira, retira o dinheiro e entrega para ela] Está aqui! Conforme o combinado. Se eu ouvir meu nome ou minha imagem difamada na cidade, eu te procuro, vou ao quinto dos infernos atrás de você, até te matar. Então, fique caladinha.
[Zumira faz com a cabeça que “sim”]
Antunes: Excelente! [Ele destranca a porta] Agora pode ir embora.
[Ela vai saindo e ele dá um tapa na bunda dela]

Circo La Mustafá – Tarde.
[Leôncio, Bruno e Felipe andam na parte interna do circo. Uma mulher – Giuliane - faz acrobacias, Leôncio a chama]
Leôncio: Giuliane! Giuliane! Venha cá!
[Ela vem correndo]
Giuliane: Me chamou, pai?
Leôncio: Quero te apresentar, dois grandes rapazes, nossos novos contratados. Bruno e Felipe, essa é Giuliane, minha filha.
Bruno: Prazer.
[Felipe balança a cabeça, cumprimentando. Giuliane dá uma pequena risada]
Giuliane: O prazer é meu...
Leôncio: Eles vão trabalhar aqui, começam amanhã como vendedores na plateia. Mas você sabe, né? Já conversei com o Antão, depois do show de amanhã ele deve aparecer.
[Giuliane se assusta]
Giuliane: Antão? O Antunes? De novo isso? Tá caçando jeito de morrer?
Leôncio: Você não manda em mim Giuliane, volte ao seu ensaio. Eu sei o que faço...
[Os garotos ficam sem entender]

Aterro Tenente Baronel
Casa de Zumira e Aristides – Lado de Dentro – Tarde.
[Aristides vai até o quarto ver se seus filhos estão dormindo, a mando de Miriã. Enquanto isso, ela sai da casa e tranca a porta, colocando uma geladeira velha na porta do lado de fora, dificultando a saída. Ela faz um sinal para um carro que estava de longe, ele se aproxima, ela pega um garrafão com gasolina e começa a espalhar ao redor da pequena casa. Ela canta uma musica enquanto espalha a gasolina.]
Miriã: Menina veneno o mundo é pequeno demais para nós dois, em toda cama que eu durmo só dá você.
[Aristides, do lado de dentro da casa escuta Miriã cantarolando do lado de fora. Enquanto isso ela começa a atear fogo na casa.]
Aristides: Desgraçada! Miriã! Cadê você sua desgraçada dos infernos! [Ele grita]
[Ele corre para a porta, tenta abrir e arrombar, mas não consegue] [O fogo começa a se lastrar na casa]
Aristides: Socorro! Alguém me ajuda! Miriã!
[Do lado de fora, Miriã entra num carro preto e sai, deixando a casa pegando fogo com Aristides e os filhos dentro]


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2 comentários:

  1. Adorando! Muito boa! Mas cadê a Paola?

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  2. Estamos contando o passado de alguns personagens. Assim que terminar, voltaremos ao tempo "atual" onde tudo segue conforme os primeiros capitulos.

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