
NO CAPÍTULO ANTERIOR...
Aterro Tenente
Baronel
Casa de Zumira
e Aristides – Lado de Dentro – Tarde.
[Aristides, do lado
de dentro da casa escuta Miriã cantarolando do lado de fora. Enquanto isso ela
começa a atear fogo na casa.]
Aristides: Desgraçada! Miriã!
Cadê você sua desgraçada dos infernos! [Ele grita]
[Ele corre para a
porta, tenta abrir e arrombar mas não consegue] [O fogo começa a se lastrar na
casa]
Aristides: Socorro! Alguém me
ajuda! Miriã!
[Do lado de fora,
Miriã entra num carro preto e sai, deixando a casa pegando fogo com Aristides e
os filhos dentro]
AGORA...
Aterro Tenente
Baronel
Casa de Zumira
e Aristides – Tarde.
[Os
moradores do aterro ao verem a casa pegando fogo tentam ajudar, correm em um
poço não muito longe dali e buscam água, os que já tinham pouca quantidade em
casa também ajudam. Dentro da casa, Aristides continua a gritar e seus filhos
choram]
Aristides:
Socorro! Alguém me ajuda! Deus meu, me socorre! Me ajudem!
[O fogo e a
fumaça tomam conta do local. Dois homens passam pelo fogo e conseguem tirar o
que impedia de abrir a porta. O fogo alastrou sob a casa. Pessoas chegam
correndo com água. Os gritos de Aristides e os filhos cessam.]
Rio de Janeiro
– Ponto de Ônibus – Tarde.
[Zumira
está sentada num banco, pensativa, prestes a voltar para o aterro. Ela começa a
relembrar coisas.]
- Flashback –
[Zumira tira a faca que estava escondida
atrás dela e a coloca bem de frente a vela]
Zumira: Está vendo isso aqui Aristides? Você é capaz de enxergar o quão afiada
essa faca está? E é capaz de decifrar o que ela vai fazer com o seu pescoço
hoje?
[Aristides agora demonstra estar nervoso]
Aristides: Que palhaçada é essa, hein? Perdeu o medo de morrer foi?
[Zumira desce de cima da mesa com a faca e a
vela na mão]
Zumira: O medo de morrer eu perdi, mas a vontade de matar, eu ganhei.
- Flashback –
[As
lembranças são cortadas quando o ônibus chega e ela entra]
Aterro Tenente
Baronel
Casa de Zumira
e Aristides – Anoitecendo.
[Os
bombeiros e a viatura da policia chegam, o delegado começa a colher informações
de alguns moradores]
Delegado: Alguém
viu alguma pessoa estranha ou desconhecida rondando por aqui ou pela casa da
vítima?
- Eu
não, mais minha filha garante que viu a periguete do morro zanzando por aqui
hoje de manhã, horas antes do fogaréu.
- Eu
também vi... A Miriã não é?
- Essa
mesma.
- Ela
estava sumida e reapareceu hoje. Meu afilhado de sete anos viu ela saindo em um
carro preto quando a casa começou a pegar fogo.
Delegado:
Então o nome da suspeita é Miriã? E vocês sabem onde eu posso encontra-la?
- Ela
costumava ficar em botecos e casas de prostituição mais reservadas, na zona
rural, meio do mato mesmo.
- Dizem
que ela não tem um lugar fixo. Costuma frequentar as casas Barbie Turbinada e
Casa das Bonecas que fica no antigo galpão onde se descarregava cana de açúcar.
Totalmente mudado, lógico que tudo por debaixo do pano.
Delegado:
Ótimo! Muito obrigado pelas informações. [Ele
aponta para os policiais] Circulando rapazes, circulando. Deixem os
bombeiros fazerem o trabalho deles, dentro de vinte horas o serviço
especializado aparece.
Circo La
Mustafá – Noite.
[Giuliane
conversa em um lugar reservado com Leôncio, e Bruno escuta toda a conversa
debaixo da mesa]
Giuliane:
O senhor está caçando jeito é de ser preso, de ser descoberto pela policia. É
isso que você está querendo?
Leôncio:
Ô anta, pensa comigo. Estamos devendo até o cabelo de onde não temos, se quando
vendemos aquela garotinha no Mato Grosso nós arrecadamos tanto dinheiro,
imagina quando vendermos dois! Dois garotos! Sem contar que eu descobri que o
olho gordo do tal de Antão é mão aberta...
Giuliane:
Você é mesmo um inescrupuloso, sem coração, frio... Não conte comigo pra isso.
E eu vou deixar bem claro, apronta comigo que eu te entrego pra policia.
Leôncio:
Faria isso com seu pai?
Giuliane:
Coragem é o que não falta.
Leôncio:
Que se dane sua opinião Giuliane! Eu vou vender aqueles garotos sim!
[Bruno fica
espantado. Giuliane sai]
Aterro Tenente
Baronel – Noite.
[Zumira
chega já de noite, diversas pessoas passam por ela e olham arregalados. Uma
amiga – Neide – a encontra e a abraça chorando]
Neide:
Amiga! Você está viva? Graças a minha santa Luzia! Louvado seja São Jorge!
[Zumira ri]
Zumira:
Que desespero é esse mulher? Parece que não me vê tem décadas.
[Neide fica
espantada]
Neide:
Como assim? Você não está sabendo?
Zumira:
Sabendo? O que?
Neide:
Ai, meu Deus! Como vou te dizer isso?
Zumira:
Fala logo criatura, o que foi?
Neide:
É o Aristides, Zumira.
Zumira:
O que aquele traste aprontou?
Neide:
O Aristides e seus filhos... [Ela faz
uma pausa] Morreram!
[Zumira
parece não acreditar]
Zumira:
Como é que é? Fala de novo Neide... Fala!
[Neide fala
compassadamente]
Neide:
O Aristides e seus filhos, morreram, todos queimados.
[Zumira cai
em um pranto de choro e desespero e corre no rumo de sua casa. Neide corre
atrás.]
Circo La
Mustafá – Noite.
[Felipe
está deitado em um banco, pensativo, Bruno chega correndo, apavorado]
Bruno:
Felipe! Felipe!
[Felipe
levanta assustado]
Felipe:
Que afobamento é esse? O que foi?
Bruno:
Vão nos vender Felipe! Nos vender!
Felipe:
Vender? Quem?
Bruno:
O Seu Leôncio, dono do circo, escutei ele dizendo que vai nos vender. Vender
Felipe!
[Felipe se
assusta com a noticia]
O trabalho Doce Urbano de Sadrack Oliveira Alves foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Não Adaptada.
MARAVILHA... ESSA E A MELHOR NOVELA DE TODAS
ResponderExcluirSUCESSOS SADRACK...
GU