7 de fevereiro de 2013

Capítulo 10 - Doce Urbano



 

NO CAPÍTULO ANTERIOR...
Aterro Tenente Baronel
Casa de Zumira e Aristides – Lado de Dentro – Tarde.
[Aristides, do lado de dentro da casa escuta Miriã cantarolando do lado de fora. Enquanto isso ela começa a atear fogo na casa.]
Aristides: Desgraçada! Miriã! Cadê você sua desgraçada dos infernos! [Ele grita]
[Ele corre para a porta, tenta abrir e arrombar mas não consegue] [O fogo começa a se lastrar na casa]
Aristides: Socorro! Alguém me ajuda! Miriã!
[Do lado de fora, Miriã entra num carro preto e sai, deixando a casa pegando fogo com Aristides e os filhos dentro]

AGORA...
Aterro Tenente Baronel
Casa de Zumira e Aristides – Tarde.
[Os moradores do aterro ao verem a casa pegando fogo tentam ajudar, correm em um poço não muito longe dali e buscam água, os que já tinham pouca quantidade em casa também ajudam. Dentro da casa, Aristides continua a gritar e seus filhos choram]
Aristides: Socorro! Alguém me ajuda! Deus meu, me socorre! Me ajudem!
[O fogo e a fumaça tomam conta do local. Dois homens passam pelo fogo e conseguem tirar o que impedia de abrir a porta. O fogo alastrou sob a casa. Pessoas chegam correndo com água. Os gritos de Aristides e os filhos cessam.]




Rio de Janeiro – Ponto de Ônibus – Tarde.
[Zumira está sentada num banco, pensativa, prestes a voltar para o aterro. Ela começa a relembrar coisas.]
- Flashback –
[Zumira tira a faca que estava escondida atrás dela e a coloca bem de frente a vela]
Zumira: Está vendo isso aqui Aristides? Você é capaz de enxergar o quão afiada essa faca está? E é capaz de decifrar o que ela vai fazer com o seu pescoço hoje?
[Aristides agora demonstra estar nervoso]
Aristides: Que palhaçada é essa, hein? Perdeu o medo de morrer foi?
[Zumira desce de cima da mesa com a faca e a vela na mão]
Zumira: O medo de morrer eu perdi, mas a vontade de matar, eu ganhei.
- Flashback –
[As lembranças são cortadas quando o ônibus chega e ela entra]

Aterro Tenente Baronel
Casa de Zumira e Aristides – Anoitecendo.
[Os bombeiros e a viatura da policia chegam, o delegado começa a colher informações de alguns moradores]
Delegado: Alguém viu alguma pessoa estranha ou desconhecida rondando por aqui ou pela casa da vítima?
- Eu não, mais minha filha garante que viu a periguete do morro zanzando por aqui hoje de manhã, horas antes do fogaréu.
- Eu também vi... A Miriã não é?
- Essa mesma.
- Ela estava sumida e reapareceu hoje. Meu afilhado de sete anos viu ela saindo em um carro preto quando a casa começou a pegar fogo.
Delegado: Então o nome da suspeita é Miriã? E vocês sabem onde eu posso encontra-la?
- Ela costumava ficar em botecos e casas de prostituição mais reservadas, na zona rural, meio do mato mesmo.
- Dizem que ela não tem um lugar fixo. Costuma frequentar as casas Barbie Turbinada e Casa das Bonecas que fica no antigo galpão onde se descarregava cana de açúcar. Totalmente mudado, lógico que tudo por debaixo do pano.
Delegado: Ótimo! Muito obrigado pelas informações. [Ele aponta para os policiais] Circulando rapazes, circulando. Deixem os bombeiros fazerem o trabalho deles, dentro de vinte horas o serviço especializado aparece.

Circo La Mustafá – Noite.
[Giuliane conversa em um lugar reservado com Leôncio, e Bruno escuta toda a conversa debaixo da mesa]
Giuliane: O senhor está caçando jeito é de ser preso, de ser descoberto pela policia. É isso que você está querendo?
Leôncio: Ô anta, pensa comigo. Estamos devendo até o cabelo de onde não temos, se quando vendemos aquela garotinha no Mato Grosso nós arrecadamos tanto dinheiro, imagina quando vendermos dois! Dois garotos! Sem contar que eu descobri que o olho gordo do tal de Antão é mão aberta...
Giuliane: Você é mesmo um inescrupuloso, sem coração, frio... Não conte comigo pra isso. E eu vou deixar bem claro, apronta comigo que eu te entrego pra policia.
Leôncio: Faria isso com seu pai?
Giuliane: Coragem é o que não falta.
Leôncio: Que se dane sua opinião Giuliane! Eu vou vender aqueles garotos sim!
[Bruno fica espantado. Giuliane sai]

Aterro Tenente Baronel – Noite.
[Zumira chega já de noite, diversas pessoas passam por ela e olham arregalados. Uma amiga – Neide – a encontra e a abraça chorando]
Neide: Amiga! Você está viva? Graças a minha santa Luzia! Louvado seja São Jorge!
[Zumira ri]
Zumira: Que desespero é esse mulher? Parece que não me vê tem décadas.
[Neide fica espantada]
Neide: Como assim? Você não está sabendo?
Zumira: Sabendo? O que?
Neide: Ai, meu Deus! Como vou te dizer isso?
Zumira: Fala logo criatura, o que foi?
Neide: É o Aristides, Zumira.
Zumira: O que aquele traste aprontou?
Neide: O Aristides e seus filhos... [Ela faz uma pausa] Morreram!
[Zumira parece não acreditar]
Zumira: Como é que é? Fala de novo Neide... Fala!
[Neide fala compassadamente]
Neide: O Aristides e seus filhos, morreram, todos queimados.
[Zumira cai em um pranto de choro e desespero e corre no rumo de sua casa. Neide corre atrás.]

Circo La Mustafá – Noite.
[Felipe está deitado em um banco, pensativo, Bruno chega correndo, apavorado]
Bruno: Felipe! Felipe!
[Felipe levanta assustado]
Felipe: Que afobamento é esse? O que foi?
Bruno: Vão nos vender Felipe! Nos vender!
Felipe: Vender? Quem?
Bruno: O Seu Leôncio, dono do circo, escutei ele dizendo que vai nos vender. Vender Felipe!
[Felipe se assusta com a noticia]



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Um comentário:

  1. MARAVILHA... ESSA E A MELHOR NOVELA DE TODAS
    SUCESSOS SADRACK...
    GU

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